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Home»Entretenimento»Primeiro álbum de Djavan faz 50 anos como retrato perene, mas incompleto, do cancioneiro singular do compositor
Entretenimento

Primeiro álbum de Djavan faz 50 anos como retrato perene, mas incompleto, do cancioneiro singular do compositor

abril 16, 2026Nenhum comentário0 Visitas


Djavan em foto da capa do álbum ‘A voz • O violão • A música de Djavan’, de 1976
Francisco Pereira / Reprodução
♫ MEMÓRIA – DISCOS DE 1976
♬ Em 9 de maio, Djavan estreia em São Paulo (SP), no estádio Allianz Parque, a turnê “Djavanear 50 anos – Só sucessos” que vai percorrer outras dez cidades do Brasil ao longo deste ano de 2026. O título da turnê alude aos 50 anos do lançamento do primeiro álbum do artista, “A voz • O violão • A música de Djavan”, lançado pela gravadora Som Livre em 1976 e impulsionado pelo sucesso do samba “Flor de lis” em todo o Brasil.
Na época, Djavan já tinha variado leque rítmico de composições, mas, por imposição mercadológica da diretoria da Som Livre, acabou debutando no mercado fonográfico com um álbum de estreia voltado para o samba, ritmo dominante entre as 12 faixas e em alta nas playlists da época. É por isso que o álbum “A voz • O violão • A música de Djavan” chega aos 50 anos como retrato perene, mas incompleto, da maestria do compositor.
Gravado com produção musical de Aloysio de Oliveira (1914 – 1995), sob direção de produção de Guto Graça Mello, o álbum “A voz • O violão • A música de Djavan” foi feito no embalo da projeção nacional obtida pelo cantor em 1975, através da TV Globo, com a veiculação do samba autoral “Fato consumado” no festival “Abertura” e com a gravação da música “Alegre menina” (Dori Caymmi e Jorge Amado) para a trilha sonora da novela “Gabriela” (1975).
Com essas duas ações sequenciais, o jogo começou a virar a favor de Djavan. Alagoano de Maceió (AL) que migrara em 1972 para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) em busca de oportunidade profissional, Djavan era cantor conhecido somente pelo público da boate carioca 706, na qual cumpria expediente como crooner do conjunto do pianista Osmar Milito (1941 – 2024), emprego conseguido por indicação de João Araújo (1935 – 2013), diretor da Som Livre.
Por gostar muito do canto de Djavan, o executivo fez com que o cantor gravasse temas para trilhas sonoras de novelas da TV Globo. Foi assim que Djavan estreou em disco, no segundo semestre de 1973, com a gravação de samba inédito de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, “Qual é?”, para a trilha sonora da novela “Os ossos do barão” (Globo, 1973 / 1974).
Outras gravações para trilhas de novelas foram feitas na sequência pelo então desconhecido cantor, todas sem repercussão. Até que a sorte começou a sorrir para Djavan em janeiro de 1975 com o sucesso do samba “Fato consumado” no festival da Globo e com a gravação da primeira música autoral de Djavan, a balada “Rei do mar”, ouvida na voz do autor na trilha sonora da novela “Cuca legal”.
Estava aberto o caminho para a gravação do primeiro álbum, um disco de apresentação do cantor, compositor e músico, como já sinalizou o título “A voz • O violão • A música de Djavan”.
Formatado no estúdio da gravadora EMI-Odeon, em Botafogo, bairro da zona sul do Rio de Janeiro, com arranjos do tecladista Edson Frederico (1948 – 2011), o álbum tem o toque de músicos do naipe de Altamiro Carrilho (1924 – 2012) (flauta), Hélio Delmiro (1947 – 2025) (guitarra), Luizão Maia (1949 – 2005) (baixo), Mestre Marçal (1930 – 1994) (percussão) e Paulo Braga (bateria). Esse time de virtuoses garantiu o excelente acabamento instrumental de sambas como “Pára-raio”, exemplo da habilidade de Djavan para compor sambas sinuosos com divisão toda própria.
Entre samba autobiográfico que traçou a rota existencial do artista de Alagoas para o Rio de Janeiro (“E que Deus ajude”), sambas com o suingue singular do compositor (“Na boca do beco” e “Maria das Mercedes”) e samba de moldura mais tradicional mas nem por isso trivial (“Embola a bola”), Djavan flertou com a rítmica nordestina em “Maça do rosto” e espalhou “Ventos do Norte”, canção que fecha o álbum “A voz • O violão • A música de Djavan”.
O violão destacado no título do disco salta aos ouvidos no arranjo de “Quantas voltas dá meu mundo”, faixa situada no universo do samba-canção, mas totalmente fora do padrão do gênero. Esse violão descortina um mundo afro em “Magia”, faixa em que Djavan djavaneia o jazz das Alagoas com a forte personalidade musical de obra que o tornaria o gênio temporal da geração da MPB revelada nos anos 1960.
A primeira pedra fundamental dessa obra foi alicerçada há 50 anos com a edição de “A voz • O violão • A música de Djavan”, álbum que, se não se impõe entre os dez mais da discografia do artista, resiste bem ao tempo, tendo cumprido bem o papel de expor a singularidade do compositor naquele definidor ano de 1976.
Não fosse esse álbum de estreia, cuja capa criada pelo designer Cesar Villela (1930 – 2020) retratou o artista em foto de Francisco Pereira, Djavan talvez não estivesse se preparando em 2026 para voltar à cena com a turnê em que festeja 50 anos de merecido sucesso popular.
Capa do álbum ‘A voz • O violão • A música de Djavan’, de 1976
Francisco Pereira com arte de Cesar Villela

Fonte: G1 Entretenimento

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